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Mostra Território Audiovisual traz debates sobre cineclubes na região | NewsCast

Mostra Território Audiovisual traz debates sobre cineclubes na região

A experiência aconteceu durante a Mostra Território Audiovisual: Curtas e médias Cariri, realizada pelo Banco do Nordeste Cultural em novembro de 2025. A programação teve entrada gratuita e contou com rodas de conversas sobre temas diversos, debates e exibições de obras realizadas no Cariri. O intuito do evento era discutir, fortalecer e disseminar o audiovisual existente no Cariri e produzido pelo Cariri.

As atividades buscavam abraçar todos os públicos, promovendo um contato entre aqueles que realizam as obras e a comunidade local.  Além de uma oportunidade para discussão do audiovisual na região, a Mostra Território Audiovisual: Curtas e médias Cariri, também celebrou a arte e a cultura rica caririense.

No dia 28 de novembro, o fechamento da programação aconteceu na Universidade Federal do Cariri, na qual fundadores e idealizadores partilharam suas histórias e experiências com cineclubes na região do Cariri. Estiveram presentes: O Thiago Florêncio, relatando sobre o Cinemáfrica ao Luar; a Ana Ruth com o Cine Gesso; Isaura Abrantes com o Cine Café e o Película: cinema e Gestalt-terapia, “filhote” do Cine Café; Monica Batista com o Cinedredom e Isadora Rodrigues com o Cineclube Corte Seco. 

Cada um explicou a criação de cada cineclube e reforçou a importância dessa atividade na vida das pessoas e na cultura regional, não apenas para fortalecer esses debates, como também para formular o pensamento crítico, desmistificar preconceitos da vida na periferia, como é o caso do Cine Gesso. “É um lugar que as pessoas podem desenvolver seus trabalhos artísticos lá dentro. É um lugar também que tem bastante artista, que tem bastante poeta, que tem bastantes escritores. Então, através do audiovisual, através do Cine Gesso, a gente foi conseguindo esse acesso às pessoas”, afirma Ana Ruth. 

Comparecer à esta roda de conversa me mostrou que o filme regional é feito quase que a todo vapor o tempo todo. Há arte derramada nas ruas esperando a pessoa certa, com câmeras ou celulares em mãos e alguns pontos de vista para ser filmada. 

Para além de entender que nós temos um território vivo, ativo e criativo, entendo cada vez mais o quanto isso é pouco visto e abastecido. Há quem deteste filmes brasileiros e ame os que vêm de fora. Talvez eu fosse uma dessas pessoas (autocrítica), não de realmente detestar o nacional, mas valorizar menos; valorizar pouco.

Essa valorização, ou a falta dela, está enraizada de certa forma. Cadê os filmes brasileiros recebendo a quantidade de mídia, comentários e idas ao cinema. Nem sempre tanto quanto o estadunidense ou qualquer que seja a produção estrangeira. 

Apesar de enxergar essa situação no território da gente, também vejo que, aos poucos, as coisas vão mudando. Tem mais gente nos cineclubes, tem mais gente querendo fazer cinema e não só fazê-lo, mas debater sobre ele, pois no cinema a gente se encontra e se identifica com as histórias, personagens e cenários. 

Espero que isso continue, mesmo lenta, que a mudança venha, que o cinema brasileiro seja grandioso e seja visto de fato. Que o cinema brasileiro não seja esquecido e seja valorizado sempre, seja um filme nacional ou seja ele regional. 

A comunidade da gente é linda, as histórias que nela existem são ricas e essa riqueza há de ser vista ou pelo menos guardada como memória em produções audiovisuais caseiras feitas por famílias que acham as romarias bonitas, que vão ao reisado e se emocionam e que filmam as conversas nas calçadas.

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