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Junú Freire apresenta o projeto “Vislumbre” em evento comemorativo aos 20 anos do Banco do Nordeste Cultural | NewsCast

Junú Freire apresenta o projeto “Vislumbre” em evento comemorativo aos 20 anos do Banco do Nordeste Cultural

Artista caririense participa da programação de aniversário do equipamento público e fala sobre trajetória independente, valorização da cultura regional e a importância do espaço para a cidade

O artista caririense Junú Freire integra a programação do “Especial 20 anos do Banco do Nordeste Cultural Cariri”, neste sábado, dia 23 de maio, às 21h30. O show será na Rua São Francisco, em frente à Praça Padre Cícero, em Juazeiro do Norte. Junú dividirá o palco com Tulipa Ruiz e com o espetáculo “As Canções de Maria”, que abre a noite às 20h trazendo as vivências, memórias e canções de reisado e guerreiros que marcam os mais de 40 anos de trajetória da Mestra Maria Guerreira.

Natural da região do Cariri cearense, Junú Freire é produtor e gestor cultural, músico, ator e brincante, além de metalúrgico, serralheiro e relojoeiro de torre. Apresenta um trabalho de música, dança e performance que assimila diversas influências e linguagens, transitando livremente entre o tradicional e o contemporâneo.

A noite e os artistas

Sobre a programação, Junú destaca a diversidade e a qualidade dos nomes que compõem o evento. “Apresentaremos nosso trabalho junto com a Tulipa Ruiz, artista de São Paulo com uma trajetória maravilhosa e que muito admiramos, e o Di Freitas, com o projeto ‘Canções para Maria’, acompanhado da filha da Mestra Margarida e de outros instrumentistas maravilhosos. Eles vivenciam a arte do que é tido como cultura popular, que é tão contemporânea quanto a nossa. Eles detêm essa ancestralidade e mantêm o trabalho ativo, e não são artistas menores. Muitas vezes há esse equívoco por parte das estruturas.”

Vencedora do Grammy Latino e com reconhecimento nacional e internacional, a cantora Tulipa Ruiz sobe ao palco com o espetáculo “Tulipa Noire”, principal atração da programação, apresentando um show em formato acústico acompanhada pelo músico Gustavo Ruiz. O artista também pondera sobre a lógica da programação. Junú reforça que “a ordem das atrações tem a ver com a dinâmica da noite” e que não aprecia o uso dos termos quem “abre” e quem “fecha” um show em um line-up.

Valorização do artista local

Para Junú, um dos diferenciais do BNB Cultural é justamente o tratamento igualitário dispensado aos artistas, independentemente de sua origem. “O Centro Cultural do Banco do Nordeste, agora sob a alcunha de BNB Cultural, é uma estrutura que valoriza, como nenhuma outra, os artistas e as artistas daqui, colocando uma mesma estrutura e valorizando nas horas de divulgação, de contratação e de diálogos.” Ele também enfatiza que o equipamento coloca os artistas na mesma posição de igualdade, independente de ser local, regional ou nacional: “Você é colocado numa posição de valorização tal qual o artista ‘de fora’.”

Trajetória independente e luta na arte

O convite para a programação comemorativa tem raízes na história do próprio artista com o espaço. “Fui convidado também porque toquei na inauguração do Banco do Nordeste Cultural Cariri. Minha história tem um trajeto, até porque não tenho padrinhos e ninguém da minha família no meio musical. Então foi uma coisa construída, com muita luta. Sempre com gente agregando, até porque ninguém faz nada sozinho — tive ao meu lado pessoas queridas, profissionais de produção e técnica”, afirma o artista.

“Vislumbre”: o projeto e a banda

O show desta edição especial apresenta o projeto “Vislumbre”, trabalho ainda inédito em gravação. “‘Vislumbre’ é o meu último show, um trabalho que eu ainda não gravei. Esta edição especial comemorativa, com participações, nasceu a convite e pelo incentivo dos gestores do Centro Cultural. Vamos apresentar um pouco dessa produção de maneira mais ampla, da região do Cariri para o mundo.”

No palco, Junú estará acompanhado de cinco músicos. “A banda que vai me acompanhar também é formada por pessoas pelas quais tenho muito carinho e que somam fundamentalmente para o resultado do trabalho. No palco, seremos seis pessoas: eu, Alda Maria — que além de percussionista, assina a produção comigo —, Tâmara Lacerda — violonista que, mesmo jovem, já tem um percurso e um currículo muito bonitos —, Kairon Rafael — guitarrista que atua no underground há muito tempo e também trabalha com produção —, Flauberto — percussionista, compositor e produtor de longa data, com quem toco desde o Doutor Raiz e Os Zabumbeiros Cariris — e o Danilo — pernambucano que mora aqui há um tempo, estudante universitário, multiartista e que está no baixo. É uma galera por quem tenho muito respeito.”

20 anos de história e resistência

O CCBNB Cariri completa duas décadas de atuação realizando atividades nas mais diversas linguagens artísticas, com abrangência na região do Cariri e centro-sul do estado do Ceará. Junú comenta sobre a importância do espaço e o risco que já enfrentou. “É um espaço que correu o risco, na época da gestão federal anterior, de fechar, de acabar. Havia um projeto de sucateamento e foi uma luta da população para não fechar o Centro Cultural, mantendo-o naquele espaço tão emblemático no centro comercial da cidade.”

Para o artista, o sentimento em torno do equipamento vai além da programação. “São 20 anos de história de um espaço que tem um sentimento de pertencimento da população. Lembrando que estruturas são feitas por pessoas, então todo mundo que faz o Centro Cultural do Cariri tá de parabéns.”

Cultura como economia

O Banco do Nordeste Cultural funciona junto à agência do banco e atua nas diversas frentes do desenvolvimento econômico e territorial. Junú destaca a dimensão econômica da produção cultural: “a produção de cultura gera renda também para o país.” Além da questão financeira, o artista ressalta os benefícios sociais que a cultura proporciona.

É necessário lembrar que a cultura movimenta a economia gerando renda e empregos diretos e indiretos. O chamado PIB da Cultura — denominação usada para analisar o montante financeiro movimentado pelo setor — em alguns anos superou a renda gerada com a produção e comercialização de automóveis, conforme pesquisa da Agência Brasil.

Apesar dos momentos de ameaça ao equipamento, o Banco do Nordeste tem realizado esforços para ampliar sua atuação e suas unidades, com a recente inauguração do Banco do Nordeste Cultural Mossoró, no último dia 14 de maio de 2026.

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